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Mostrando postagens com marcador As dores de amor de Narciso. Mostrar todas as postagens
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11 de ago. de 2010

Fala a “consciência hipertrofiada”*...


Narciso, Michelangelo, 1599

Imerso na escuridão aprisionante de meu subsolo
Sei que lá fora os objetos, todos, volatilizam-se
Ouço os gritos de seus ethos
A reivindicarem eternidade e primazia.

Parafraseando Parmênides, resmungo para mim mesmo:
“- O ser é uma esfera feita de pensamento gritando o próprio pensamento
Fechada em si mesma!...

Imersa em si mesma...
Trancada...
Una...

Unicamente,

SÓ!”


*Do livro Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski, 1864
Talvez seja pedir demais a tal consciência o parto de um "artigo" sobre este livro. Tomara que não.
Que eu acredite que não!

4 de jul. de 2010

O papel rasgado e o sangue a escorrer.



É interessante como todos os escritores e poetas que tenho conhecido ultimamente sempre tiveram um contato com livros, palavras, desde de suas infâncias.
Eu nunca tive isso, cresci sem palavra. Recebendo do mundo as informações que ele me dava de graça, talvez seja por isso que hoje penso que foram de péssima qualidade(existe mesmo isso garoto?). Comecei a ler por teimosia e as palavras me sairam como sangue que jorrasse de um corte profundo: talvez seja por isso que a minha relação com as palavras foi sempre de dor, furto, crime...
Hoje, escrevo como que numa espécie de tentativa de respirar: o pulmão frio a ranger, o ar pesado, as vezes até cuspo sangue, vomito signos desconexos e sem nenhum sentido.


Obs: acho que este post deveria ser maior, pelo o conteúdo que ele pretende expressar. Na verdade, era pra ter sido publicado no blog novo(meucadernodegritos.blogspot.com), mas por falta de paciência pra construi-lo, e sendo eu terrivelmente perfeccionista, ele ainda não foi ao ar de vez.

6 de jun. de 2010

Narciso Ébrio e Apaixonado

Cena do filme Nome Próprio de Murilo Sales

Jogado no canto daquele apartamento vazio

Estava o corpo ainda vivo


Talvez apenas suspiros

Aprisionados naquele pulmão cancerígeno

(A evaporar em fumaças de cigarro, podre e roxo)


Sussurrava gemidos


Talvez vomitasse delírios

(esôfago seco e rígido a rachar em acidez):


“Mar


Rio


Ferido


Mais que isso

Sempre mais que tudo


Cindido


Distúrbio noturno


Tranqüilo?


Não ainda

Sempre mais ainda


Metafísico

Físico só


NARCISO!”


Em sua pele

Apenas calor era

Os raios que rompiam a janela


O sol ainda insistia em nascer lá fora.

23 de mai. de 2010

A Nau Solipsista


"No primeiro momento, Descartes é uma Ilha.
Depois, é um Deserto."

Leidevam Rodrigues


Maíra...
Será a vida
Uma ilha?

Maíra...
Mais ela é só Mar
E ira

Maíra
Mais que um barco
Uma paixão aflita.



A frase, eu ouvi ontem de um amigo em meio a goladas de álcool.
O poema, eu fiz em 18 de abril deste ano, por volta das 2:30 da manhã, também em meio a uma bebedeira e poemas de
Manuel de Barros, para uma pessoa linda que eu havia acabado de conhecer naquela madrugada.

15 de mai. de 2010

Com a pele fria e sem sentir.

É que narciso
Tem os olhos de vidro
E só enxerga
Por imagem e representação

E ele sempre morre petrificado
Na inércia da reflexão
Sobre o rio
E a imensidão solitária de si mesmo.

A Sinfonia de Meus Moinhos

Salvador Dali
No silencio desta ventania
Que invade as portas
Da casa vazia
Ouço, lá longe,
Um moinho a ranger
É só o que eu ouço

Move o vento
O moinho
Range ele bem baixinho
O moinho a me moer.

Eu mesmo talhei
No ultimo inverno de solidão
Esse pequeno e áspero moinho
Só pra não viver sozinho
No silencio e imensidão
Desta casa vazia.

E agora eu sei
E também doe saber
Que sou eu
Que o faço moer

Moe o vento
O moinho
Geme ele bem baixinho
O moinho a me mover

* pequeno rabisco de uma idéia maior, áspera que é... do mesmo caderno das dores de amor de Narciso.

24 de mar. de 2010

Subjetividade

Minha interioridade
É só intensidade e silêncio

Por isso não se assustem
Com meus gritos surdos
Sussurrados no escuro.
.........................................

14 de mar. de 2010

Por que o silencio...

Preciso ouvir o que a vida tem a dizer antes das palavras. Na verdade, me dói esse grito mudo das dores que não cabem nas palavras. O poeta quer, agora, se matar com tudo o que ele fez; pintar um quadro com o sangue do próprio pulso(sem cortar as veias, só fazer sangrar. Por que é na dor que a gente sente mais e é no vermelho do sangue que se reflete a verdadeira face de um ato desesperado): tenho um texto no meio de meus rascunhos e uma idéia de desenho na minha cabeça sobre essas duas imagens. Mas sinto que minha arte, a arte que vejo agora em mim, minha verdadeira arte, ainda esta por nascer. E só ouvindo este silêncio que agora risca a minha pele é que eu vou conseguir parir esse filho sem pai nem mãe, que não vai se lembrar de sofrer uma só partícula de lágrima por sua orfandade... É que O QUE EU QUERO É PARIR A MIM MESMO!

6 de mar. de 2010

Os ecos de um silêncio.

Ele não quer mais
Tentar gritar
Os sussurros
Do amor que feri

Ele não quer mais
Ter que dizer
Baixinho
Os uivos de dor da existência

Ele não quer mais
Ter que susssurar
Os gritos
Do amor que feri*

Ele não quer mais
Tentar gritar
Os sussurros
De dor da existência.

Fragmento para o poema anterior que, por ter sido feito depois da postagem, achei que seria melhor que fosse postado assim.

*como a rosa que abraçada com tanto furor e desespero não deixa de rasgar a pele, o véu fino que sustenta [o elefante, mesmo sem distinguir as próprias patas, se matem em pé] a nossa interioridade. 

3 de mar. de 2010

Do desespero e outros silêncios.


Angelo Bronzino, Triunfo de Vênus, 1450-5(fragmento)

E o poeta se joga
Do alto do fim
Do primeiro verso

Despenca todo poema
E cai em cima do ultimo
Ponto final

Ele não quer mais
Respirar locuções
Não quer mais se alimentar
De rimas

Ele quer se enforcar
Em cada palavra

Morrer sufocado
Por silêncio.


Escrevi isto hoje de manha, mas na verdade trago este nó por dentro desde ontem (e você sabe porque!). Sinto vontade de acabar com TUDO, mas, por covardia, vou acabando com isto aqui: de que me vale tanto dizer, se o mais importante é sempre silêncio?