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30 de jun de 2010

A pagina em branco...



Eu quero beber uma garrafa etílica de palavras
De um único gole
(litros e litros de locuções des-semânticadas)

Desengasgar este nó de silêncio
Ao mesmo tempo que me embriago de gritos

Por que o que me dói no estômago
É este vazio de versos que me preencham os pulmões
Que me sufoquem os pensamentos

Que me tirem o folego
E que me façam crer por um único instante
(enquanto recito-os em voz trêmula)
Que pode existir algum tipo de perfeição e beleza na vida
Em cada versinho... em cada universo que trazem recolhido dentro deles

Estou a ler Memórias do Subsolo, do Dostoiéviski, e hoje sinto ímpetos de sair e me embriagar de álcool e cigarros.

28 de jun de 2010

O Destino.


Achei a imagem na internet, quem conhecer o créditos, por favor, relatar-me nos comentários

Talvez uma escolha resolva
Talvez uma promessa acalente
Tomara que o medo se dissolva
Na incapacidade da mente

E ficamos nós a fazer-mos escolhas, acreditando que somos capazes de prever o efeito exato delas. Para amanhã, fazemos promessas. Tendo fé não apenas que sabemos o que nos será posto para escolher, mais que também sabemos quem seremos amanhã. E assim confiamos que seremos forte o bastante para agir da forma que agora achamos certo -ingenuidade sempre; algumas vezes, covardia de agir agora, diante dos fatos reais: sempre adiando e confiando na razão cega e limitada.
Pobre de nos! Temos os olhos de vidro, sempre embaçados com o calor dos afetos.

18 de jun de 2010

O Ultimo Epitáfio.


"Deus é o silêncio do universo e o homem o grito que dá sentido a esse silêncio"
José Saramago (1922-2010)


6 de jun de 2010

Narciso Ébrio e Apaixonado

Cena do filme Nome Próprio de Murilo Sales

Jogado no canto daquele apartamento vazio

Estava o corpo ainda vivo


Talvez apenas suspiros

Aprisionados naquele pulmão cancerígeno

(A evaporar em fumaças de cigarro, podre e roxo)


Sussurrava gemidos


Talvez vomitasse delírios

(esôfago seco e rígido a rachar em acidez):


“Mar


Rio


Ferido


Mais que isso

Sempre mais que tudo


Cindido


Distúrbio noturno


Tranqüilo?


Não ainda

Sempre mais ainda


Metafísico

Físico só


NARCISO!”


Em sua pele

Apenas calor era

Os raios que rompiam a janela


O sol ainda insistia em nascer lá fora.

Poeminha a Amada Temerosa (ou Dos Amores Primaveris)

A12narciso1

Narciso (Narcissus), planta que floresece normalmente no período do inverno e da primavera.

Eu te amo


Porque vida é Planta

Que cresce em busca de luz


Quando partires, sofrerei

Tu sofreras


Porque viver é rosa


E da rosa eu quero tudo!

Até os espinhos.