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24 de mar de 2010

Subjetividade

Minha interioridade
É só intensidade e silêncio

Por isso não se assustem
Com meus gritos surdos
Sussurrados no escuro.
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14 de mar de 2010

Por que o silencio...

Preciso ouvir o que a vida tem a dizer antes das palavras. Na verdade, me dói esse grito mudo das dores que não cabem nas palavras. O poeta quer, agora, se matar com tudo o que ele fez; pintar um quadro com o sangue do próprio pulso(sem cortar as veias, só fazer sangrar. Por que é na dor que a gente sente mais e é no vermelho do sangue que se reflete a verdadeira face de um ato desesperado): tenho um texto no meio de meus rascunhos e uma idéia de desenho na minha cabeça sobre essas duas imagens. Mas sinto que minha arte, a arte que vejo agora em mim, minha verdadeira arte, ainda esta por nascer. E só ouvindo este silêncio que agora risca a minha pele é que eu vou conseguir parir esse filho sem pai nem mãe, que não vai se lembrar de sofrer uma só partícula de lágrima por sua orfandade... É que O QUE EU QUERO É PARIR A MIM MESMO!

6 de mar de 2010

Os ecos de um silêncio.

Ele não quer mais
Tentar gritar
Os sussurros
Do amor que feri

Ele não quer mais
Ter que dizer
Baixinho
Os uivos de dor da existência

Ele não quer mais
Ter que susssurar
Os gritos
Do amor que feri*

Ele não quer mais
Tentar gritar
Os sussurros
De dor da existência.

Fragmento para o poema anterior que, por ter sido feito depois da postagem, achei que seria melhor que fosse postado assim.

*como a rosa que abraçada com tanto furor e desespero não deixa de rasgar a pele, o véu fino que sustenta [o elefante, mesmo sem distinguir as próprias patas, se matem em pé] a nossa interioridade. 

3 de mar de 2010

Do desespero e outros silêncios.


Angelo Bronzino, Triunfo de Vênus, 1450-5(fragmento)

E o poeta se joga
Do alto do fim
Do primeiro verso

Despenca todo poema
E cai em cima do ultimo
Ponto final

Ele não quer mais
Respirar locuções
Não quer mais se alimentar
De rimas

Ele quer se enforcar
Em cada palavra

Morrer sufocado
Por silêncio.


Escrevi isto hoje de manha, mas na verdade trago este nó por dentro desde ontem (e você sabe porque!). Sinto vontade de acabar com TUDO, mas, por covardia, vou acabando com isto aqui: de que me vale tanto dizer, se o mais importante é sempre silêncio?