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26 de mai de 2010

Pequeno bilhete ao marinheiro

Amar tudo
E odiar tudo

Tudo desejar
E sempre nada ter:

Eis a sina de quem nasceu pra ser

MAR

23 de mai de 2010

Um Parêntese ao Poeta


Gran finale
Damário da Cruz

Avise aos amigos
que preparo o último verso.
A vida
dura menos que um poema
e no alvorecer mais próximo saio de cena.


Damário da Cruz: morreu em 21 de maio de 2010, não o conheci, mais se foi o seu ultimo desejo distribuir estes versos, eis ai.


“A possibilidade de arriscar é que nos faz homens”


Tomara que a mim também seja dada essa ultima graça de poder escrever antes da morte, com ela a bater na porta.

Pesquisando por ai algo mais dele, achei tal belo poema:

Caixa - preta


Sou um homem.
Portanto,
mais que palavra.


Não pronuncio
o sentimento
apenas como palavra.


O que foi dito
ao entardecer
não se confirma
na madrugada.
O que foi visto
no sonho
não se confronta
com a realidade.


Sou um homem.
Portanto,
uma surpresa.

A Nau Solipsista


"No primeiro momento, Descartes é uma Ilha.
Depois, é um Deserto."

Leidevam Rodrigues


Maíra...
Será a vida
Uma ilha?

Maíra...
Mais ela é só Mar
E ira

Maíra
Mais que um barco
Uma paixão aflita.



A frase, eu ouvi ontem de um amigo em meio a goladas de álcool.
O poema, eu fiz em 18 de abril deste ano, por volta das 2:30 da manhã, também em meio a uma bebedeira e poemas de
Manuel de Barros, para uma pessoa linda que eu havia acabado de conhecer naquela madrugada.

15 de mai de 2010

Com a pele fria e sem sentir.

É que narciso
Tem os olhos de vidro
E só enxerga
Por imagem e representação

E ele sempre morre petrificado
Na inércia da reflexão
Sobre o rio
E a imensidão solitária de si mesmo.

A Sinfonia de Meus Moinhos

Salvador Dali
No silencio desta ventania
Que invade as portas
Da casa vazia
Ouço, lá longe,
Um moinho a ranger
É só o que eu ouço

Move o vento
O moinho
Range ele bem baixinho
O moinho a me moer.

Eu mesmo talhei
No ultimo inverno de solidão
Esse pequeno e áspero moinho
Só pra não viver sozinho
No silencio e imensidão
Desta casa vazia.

E agora eu sei
E também doe saber
Que sou eu
Que o faço moer

Moe o vento
O moinho
Geme ele bem baixinho
O moinho a me mover

* pequeno rabisco de uma idéia maior, áspera que é... do mesmo caderno das dores de amor de Narciso.

2 de mai de 2010

Nota de Roda Pé.

Resposta a um certo comentário, de um amigo vampiro, no post anterior:

"É. Ultimamente não tenho feito outra coisa que não seja lutar contra estes moinhos de vento... talvez estejam eles dentro de mim a moer a ventania de minha própria alma."
Depois de um dia de ressaca de vinho da noite anterior, dormirei à pensar nestes moinhos... [nesta noite solitária de relâmpagos e tempestades]