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26 de fev de 2010

Do silêncio exterior.


- Façam silêncio!

  A mãe segura-o pelo braço, angustiada, tentando esconde-lo dos que passam pela calçada, dos que esperam o sinal fechar.

- Façam silencio!
- Quieto garoto, pra que tanto barulho?!

   O sol queima forte e se neste momento todos se calassem (os vendedores de embalagens vazias de utilidade; os carros que correm surdos e sem destino...) seria possível ouvir o estralar do asfalto escaldante.

- O que ele esta sentindo? Eu posso ajudá-la? ... Ele tem asma? Tente ouvir o peito dele!
- Talvez seja o coração. Ele tem tido esses ataques ultimamente. Eu tenho impedido-o de assistir desenhos animados em outros idiomas. Ele insiste em dizer que mesmo assim entende, mais eu desconfio que ele destorça tudo.

  Um pássaro observa imóvel do alto de um prédio que aponta para um céu de nuvens poucas.

- Ele deve ser dos que ainda acreditam nas expressões físicas; que a estética dos movimentos afetivos fala o que sempre se cala. Pobrezinho, há tanto para se ouvir.
- Oh! Tens razão! As tuas palavras me lembraram um livro que li recentemente. Gosto dos livros, eles carregam consigo histórias e vozes que, olhando, não se ouvem.

   Ele se cala e, olhando para a mãe, se da conta de como nós também somos livros, sempre fechados, sempre em silêncio. Agora mudo, ele olha a todos e pensa no grito do silencio que há entre eles.


A força do silêncio que há em mim me obrigou a publica-lo antes de encontrar uma imagem a altura. Se alguem tiver uma sugestão... Halamo?

16 de fev de 2010

Momento Narcisista.



Yes! I Love My Chaos!

3 de fev de 2010

Das noites em que o céu cai.

- Eu esqueci! Nem ao menos me lembro da origem, da etimologia, da teogonia (da cosmologia!) da pergunta quando.

- Meus olhos, perfurados por Sangue, após rompido o seu véu multiformizante, não mais enxergam uma só partícula Fóton de pensamento.

- O meu peito bate frio e seco. Pois até o sangue que por ele corria se desfez em partículas quânticas de indecisão: sem saber o Pulso porque pulsava... sem saber o Amor por quem aquecia.

- As minhas mãos, estáticas a tremer, pintoras surrealistas em potencial, erram na inércia do Não... do porque?

- Minha consciência, liquefeita, cai do teto escorrendo pelas paredes, como sangue de chacina, em busca de algo que se esqueceu pelos cantos,... pelos fins.


2 de fev de 2010

O doce sacarina das palavras.

Nem mesmo as notas,
Que agora surdas, mudas aos meus ouvidos cegos,
São mais ingênuas.

Não notas-te?
Teu peito impuro
Se contamina de teu próprio ego.

Tuas mãos frias
Rasgam o véu do não dito
Por palavras sem sentido.

Não escreves sobre o impuro
Pois foges, pintando gostos
De aromatizantes artificiais

Pois o simples foge
Da mão que deseja pintar o sincero.
E o irreal sempre chega
Quando tentamos dizer a realidade.


   Teu corpo é tão multiplamente voluptuoso que chega a ser impossível te sentir em um único abraço... em um único coito.