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4 de jul de 2010

O papel rasgado e o sangue a escorrer.



É interessante como todos os escritores e poetas que tenho conhecido ultimamente sempre tiveram um contato com livros, palavras, desde de suas infâncias.
Eu nunca tive isso, cresci sem palavra. Recebendo do mundo as informações que ele me dava de graça, talvez seja por isso que hoje penso que foram de péssima qualidade(existe mesmo isso garoto?). Comecei a ler por teimosia e as palavras me sairam como sangue que jorrasse de um corte profundo: talvez seja por isso que a minha relação com as palavras foi sempre de dor, furto, crime...
Hoje, escrevo como que numa espécie de tentativa de respirar: o pulmão frio a ranger, o ar pesado, as vezes até cuspo sangue, vomito signos desconexos e sem nenhum sentido.


Obs: acho que este post deveria ser maior, pelo o conteúdo que ele pretende expressar. Na verdade, era pra ter sido publicado no blog novo(meucadernodegritos.blogspot.com), mas por falta de paciência pra construi-lo, e sendo eu terrivelmente perfeccionista, ele ainda não foi ao ar de vez.

1 comentários:

Ângela Calou disse...

Ah que é preciso roubá-las... e todo escrito é mesmo um crime....adorei isso! Um crime contra o dado, uma sua sobre-versão... manipula-se o óbvio, forja-se uma outra visão... e tudo isso, para que Rafael? Pra que os pulmões resistam, para que haja sangue para se cuspir... pra vida ser viva, oras.

Gostei muito da idéia do texto, do texto-confissão, "crescer sem palavras", e ainda assim sabê-las muito bem. Argúcia.

Abraços.