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11 de out. de 2010

No Jardim das Flores Suicidas II.

O pequeno e determinado universo
Se expande e se desfaz ao nosso redor
À medida que se multiplicam as possibilidades

O sol em nossas mentes
Parece querer nós queimar

Às vezes,
A imensidão do céu parece querer nós engolir

Beba, beba meu amor!

Beba do vinho e coma da carne
Antes que o Devir transforme tudo
Em lembranças insípidas

Tente sentir o calor de minhas mãos
Antes que o desejo se desfaça
Na incerteza dos motivos,
Na confusão das palavras
(Frigidas freiras atordoadas)

Pois a verdade é uma hóstia
A se desfazer no semi-árido do tempo


Escrito originalmente em uma aula de língua grega, no dia 10 de setembro de 2010.

19 de ago. de 2010

No jardim das flores suicidas...


Alice: Qual é a etimologia de teu nome e o juízo a priori de teus movimentos?

Coelho Branco: Há muito mais do que palavras no mundo.

Alice: Mas não é por meio delas que o conhecemos e sobre elas que se constroem os caminhos de fuga?

Coelho Branco: Não! Antes de tudo, é por meio delas que se oculta o calor do toque e o furor das paixões, sobre as quais se fundamenta o motivo dos suspiros – para que não sejam apenas moléculas de oxigênio em teu pulmão.

Alice: Mais e os caminhos?! Para onde levam?!

Coelho branco: Os caminhos se bifurcam no pespectivismo e no trincar de teus olhos de vidro!

...

As flores, mais uma vez, são as deste poema.

10 de jul. de 2010

Meditação Quarta, Parágrafo Quarto*.

Ai de mim
Ai de nós

Feitos em parte de Tudo
E em outra parte de Nada

Uma parte arriscadamente sincera
Outra parte cegamente enganada

Tendo em mim
Todos os desejos
Toda a coragem e todo o medo
Para ir de encontro aos rochedos
Que o mar dos afetos me levar

Mas há neste jardim de flores suicidas (ah, minhas convicções!)
Pássaros que cantam motivos que não me pertencem
Velhos livros empoeirados
Na caduquice do tempo:
- o dever-dos-amores!
- A moral-geométrica-dos-desejos!

Então algum Nada que há em nós
Se encontra com algo de um Tudo
Que não é nosso

Ingênuo, e ainda vazio,
Vejo-me cantando:
- Agora sei todos os teoremas-pitagóricos-dos-desejos-de-plástico;
Sou uma “tecla-de-piano” **-afinada-e-lubrificada-que-soa-sempre-a-mesma-nota!

Mas os lábios que me beijam
Não me excitam
O hálito quente ao meu ouvido
Não arrepia o meu corpo

Pois se tudo o que há em mim é mar
Qualquer forma de cais
E só um nada qualquer no mundo

Não é meu este corpo

Nem é minha esta boca que se abre
Nem a fome que ela sente

Gritarei nos ouvidos de Descartes
Até que ele fique surdo:
- O meu único erro
É não seguir as marés de minhas intensidades!
(mudas)



"Não existem motivações racionais. Existem racionalizações de motivos emocionais."
(Aline Mayfair, aqui)



*Descartes, René. Meditações Metafísicas, “Meditação Quarta, Do Verdadeiro e do Falso”. 1641.
** Do livro Memórias do Subsolo, do Dostoiéviski. Mais precisamente, na pagina 44.

10 de abr. de 2010

Momento Narcisista II.

                                                                     Francis Bacon, série de auto-retratos (1971-72)

Eu sou puro Grito
Mudo
De significado e definição

As minhas Intensidades
São todas dogmáticas

E as minhas paixões
São como suicidas kamikazes
Que se lançam
Nesta eterna guerra
De impulsos e amores egoístas

Sou um individuo
De pouquíssimas convicções

As poucas que tenho
Sempre falecem
Como as flores que suicidam-se
Lançando-se dos galhos, murchas e secas,
Antes do por-do-sol,
Sempre antes do por-do-sol.